💤🏃 sono & alta performance — corrida

12/10/20253 min read

Tem exame de sangue que você faz uma vez por ano.

E tem outro exame, muito mais honesto, que você faz toda semana sem perceber: a corrida.

Basta começar o trote: em dois minutos o corpo já entrega o relatório completo da última noite — coração, respiração, perna, cabeça.

Você sabia?
Estudos com corredores mostram que noites mal dormidas aumentam a frequência cardíaca, pioram a sensação de esforço e estão ligadas a mais lesões ao longo das semanas.

quando o corpo entrega o laudo (sem pedir sua opinião)

Você sai para um treino leve.
E aí aparece o laudo da noite:

  • o pace que sempre foi confortável agora parece agressivo
    Noites curtas aumentam sua frequência cardíaca basal em 5–15 bpm, fazendo ritmos leves exigirem mais oxigênio do que deveriam.

  • o coração não baixa
    Privação de sono reduz a variabilidade da frequência cardíaca, deixando o sistema nervoso mais acelerado e dificultando a estabilização dos batimentos.

  • o ar entra curto
    Com pouco sono REM, o controle respiratório fica menos eficiente, elevando a sensação de “fôlego preso” mesmo em intensidade moderada.

  • a cabeça começa a negociar “vamos encurtar hoje?”
    Quando você dorme mal, o cérebro interpreta esforço como ameaça mais cedo, aumentando a percepção de fadiga e a inclinação psicológica à desistência.

dores que parecem do treino, mas nascem da recuperação

Para a maioria dos corredores, a resposta cai quase sempre nos mesmos lugares:

  • canela (canelite)

  • joelho (dor na frente, “joelho do corredor”)

Claro que técnica, carga e fortalecimento contam. Muito!

Mas tem um ponto que pouca gente considera: como essas estruturas chegam para o dia seguinte.

Quando você dorme pouco ou dorme picado:

  • a inflamação natural do treino não baixa como deveria

  • o tecido ósseo e muscular não tem tempo completo de “consertar” microdanos

  • o cérebro ajusta pior o controle fino da passada

Resultado?

Aquela dor que era só um recado vira companhia fixa. E, com o tempo, vira lesão.

Sono não substitui fortalecimento, não corrige biomecânica. Mas sem sono de qualidade, até o melhor treino de força terá pouco ou nenhum verdadeiro resultado.

o que muda na corrida de quem começa a respeitar o sono

Na prática, quem corre e cuida do sono começa a perceber:

  • o pace leve volta a ser leve

  • o coração responde e recupera mais rápido entre um tiro e outro

  • a sensação de “perna de cimento” cede lugar para uma fadiga mais limpa, natural

  • a cabeça não entra tão rápido no modo “desistir” quando vem subida, calor ou vento

Não é milagre.
É química + recuperação funcionando a seu favor.

como colocar o sono para correr junto com você

Ajustes que fazem diferença grande para quem leva a corrida a sério — sem virar escravo dela:

  • respeitar o horário da última corrida forte
    Tiros muito intensos colados na hora de dormir deixam o corpo “aceso”. Se a agenda só permite correr à noite, vale deixar os treinos mais pesados para dias em que você possa deitar um pouco mais tarde sem culpa.

  • criar um “pós-treino” que não acaba no banho
    Hidratar, comer bem e… desacelerar. Tela, luz forte e adrenalina alta até a hora de deitar jogam contra a recuperação que você acabou de tentar construir.

  • cuidar do lugar onde o corpo se reconstrói

    Coluna alinhada, temperatura estável, sono profundo preservado.
    Para quem corre, o colchão não é só mais um um móvel da casa: é o campo de treino invisível.

A planilha fala de pace, volume, tiro, longa.
O relógio mostra tempo, distância, frequência cardíaca.

Mas quem corre de verdade sabe:

tem um treino que não aparece no Strava e decide todos os outros.

É o treino silencioso da noite.