💤🏃 sono & alta performance — corrida
daniel gularte
12/10/20253 min read


Tem exame de sangue que você faz uma vez por ano.
E tem outro exame, muito mais honesto, que você faz toda semana sem perceber: a corrida.
Basta começar o trote: em dois minutos o corpo já entrega o relatório completo da última noite — coração, respiração, perna, cabeça.
Você sabia?
Estudos com corredores mostram que noites mal dormidas aumentam a frequência cardíaca, pioram a sensação de esforço e estão ligadas a mais lesões ao longo das semanas.
quando o corpo entrega o laudo (sem pedir sua opinião)
Você sai para um treino leve.
E aí aparece o laudo da noite:
o pace que sempre foi confortável agora parece agressivo
Noites curtas aumentam sua frequência cardíaca basal em 5–15 bpm, fazendo ritmos leves exigirem mais oxigênio do que deveriam.o coração não baixa
Privação de sono reduz a variabilidade da frequência cardíaca, deixando o sistema nervoso mais acelerado e dificultando a estabilização dos batimentos.o ar entra curto
Com pouco sono REM, o controle respiratório fica menos eficiente, elevando a sensação de “fôlego preso” mesmo em intensidade moderada.a cabeça começa a negociar “vamos encurtar hoje?”
Quando você dorme mal, o cérebro interpreta esforço como ameaça mais cedo, aumentando a percepção de fadiga e a inclinação psicológica à desistência.
dores que parecem do treino, mas nascem da recuperação
Para a maioria dos corredores, a resposta cai quase sempre nos mesmos lugares:
canela (canelite)
joelho (dor na frente, “joelho do corredor”)
Claro que técnica, carga e fortalecimento contam. Muito!
Mas tem um ponto que pouca gente considera: como essas estruturas chegam para o dia seguinte.
Quando você dorme pouco ou dorme picado:
a inflamação natural do treino não baixa como deveria
o tecido ósseo e muscular não tem tempo completo de “consertar” microdanos
o cérebro ajusta pior o controle fino da passada
Resultado?
Aquela dor que era só um recado vira companhia fixa. E, com o tempo, vira lesão.
Sono não substitui fortalecimento, não corrige biomecânica. Mas sem sono de qualidade, até o melhor treino de força terá pouco ou nenhum verdadeiro resultado.
o que muda na corrida de quem começa a respeitar o sono
Na prática, quem corre e cuida do sono começa a perceber:
o pace leve volta a ser leve
o coração responde e recupera mais rápido entre um tiro e outro
a sensação de “perna de cimento” cede lugar para uma fadiga mais limpa, natural
a cabeça não entra tão rápido no modo “desistir” quando vem subida, calor ou vento
Não é milagre.
É química + recuperação funcionando a seu favor.
como colocar o sono para correr junto com você
Ajustes que fazem diferença grande para quem leva a corrida a sério — sem virar escravo dela:
respeitar o horário da última corrida forte
Tiros muito intensos colados na hora de dormir deixam o corpo “aceso”. Se a agenda só permite correr à noite, vale deixar os treinos mais pesados para dias em que você possa deitar um pouco mais tarde sem culpa.criar um “pós-treino” que não acaba no banho
Hidratar, comer bem e… desacelerar. Tela, luz forte e adrenalina alta até a hora de deitar jogam contra a recuperação que você acabou de tentar construir.cuidar do lugar onde o corpo se reconstrói
Coluna alinhada, temperatura estável, sono profundo preservado.
Para quem corre, o colchão não é só mais um um móvel da casa: é o campo de treino invisível.
A planilha fala de pace, volume, tiro, longa.
O relógio mostra tempo, distância, frequência cardíaca.
Mas quem corre de verdade sabe:
tem um treino que não aparece no Strava e decide todos os outros.
É o treino silencioso da noite.
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