sono bifásico: o padrão humano de dormir antes da eletricidade — e o que isso pode nos ensinar hoje

2/18/20262 min read

antes da luz elétrica, da TV, dos celulares e da rotina industrial, as pessoas não dormiam como você dorme hoje.

você sabia?

registros históricos mostram que, antes da iluminação elétrica, era comum as pessoas dividirem a noite em dois períodos de sono: o “primeiro sono” (3 a 4 horas) e o “segundo sono” (2 a 3 horas).

como assim?

durante séculos, principalmente na europa pré-industrial, o padrão era simples.

as pessoas iam para a cama poucas horas após o pôr do sol, dormiam por cerca de três a quatro horas.

acordavam naturalmente no meio da noite, permaneciam despertas por um período tranquilo — lendo, orando, conversando ou refletindo e também namorando — e depois voltavam a dormir até o amanhecer.

o historiador Roger Ekirch documentou centenas de referências a esse padrão em diários, cartas e registros históricos.

o “primeiro sono” acordar e o "seguno sono" era uma expressão comum na época.

não era visto como problema - era rotina.

com a revolução industrial e a expansão da luz artificial, a noite mudou.

o tempo passou a ser controlado por relógios, fábricas e horários fixos. gradualmente, o sono foi se consolidando em um único bloco contínuo.

aqui está o ponto importante:
o modelo atual de dormir oito horas seguidas não é uma verdade eterna da biologia humana.

é, em parte, resultado de organização social e tecnológica.

isso significa que acordar no meio da noite é sempre saudável? não.

significa que todo mundo deveria dormir em dois blocos? também não.

mas essa informação amplia a compreensão sobre o que é “normal” quando falamos de sono.

o corpo humano é adaptável. o sono responde ao ambiente, à luz, à rotina e à cultura.

ao longo da história, ele já foi organizado de maneiras diferentes.

hoje, a pergunta não é se devemos voltar ao passado.

as perguntas certas são:

o ambiente em que você dorme favorece um descanso profundo?

como você tem acordado?

entender como o sono já funcionou ajuda a fazer escolhas mais conscientes agora.

e, para quem leva desempenho e clareza mental a sério, dormir nunca foi apenas fechar os olhos.